Pequenas Mortezinhas
- Roseana Coelho
- 21 de mai.
- 2 min de leitura

A vida é feita de pequenos fins. A cada ciclo, a cada dia, cada hora, estamos deixando algo para trás.
O que fazemos entre um fim e outro? Vivemos?
Quando nascemos, temos um fim, morremos no casulo aquático para nascer na imensidão aérea. Sendo amparadas por braços que nos acolhem e aí surgimos.
Saímos do seio e vamos para o prato, deixamos o colo e nos colocamos a andar sozinhas.
Saímos de casa para aprender na escola, temos amigos, professores queridos, e depois não os temos mais, outros virão. E continuarão chegando e partindo.
Fazemos escolhas de profissões, ou não. Mudamos de ideia e escolhemos outro caminho.
Temos filhos, não somos mais só filhas, somos mães agora também. E quem sabe, avós em algum momento. O que acontece quando mudamos de lugar? Morremos?
Se não temos filhos, onde ficamos? O lugar pré-determinado não nos cabe, para onde ir? O que vai marcar meu próximo fim e meu próximo começo?
Perdemos o emprego, conquistamos um novo. Nos mantemos no mesmo. Há fim em se manter no lugar?
Aposentar e fazer o que com a liberdade? Eu sei ser livre?
Como se toma uma decisão dessas?
O feminino simplesmente sabe.
Em Mulheres que correm com Lobos, Clarissa Pinkola Estes nos lembra do ciclo de vida-morte-vida. Podemos nos perguntar sempre quem sou eu? O que estou fazendo aqui?
A mulher que está consciente de si Cria, forma e sopra vida.
Vivemos aprendendo a deixar nascer o que deve nascer, deixar morrer o que se deve morrer para que nós possamos renascer. Essa é a lição.
Independentemente de quem esteja presente, a natureza não pede licença.
Floresça e dê à luz sempre que tiver vontade. Como adultas, precisamos muito pouco
de licença, mas, sim, de criação, de maior estímulo dos ciclos.
Todas nós sabemos quando chegou a hora da vida, quando chegou a hora da morte. Podemos tentar nos enganar por vários motivos, mas sabemos.
Como mulheres, podemos recorrer à nossa intuição e aos nossos instintos Usar nossos sentidos para espremer a verdade das coisas, para extrair o alimento das ideias, para ver o que há para ser visto, para conhecer o que há para ser conhecido, para manter viva a chama da criatividade e para ter uma compreensão íntima dos ciclos de vida-morte-vida de toda a natureza.


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