O feminino é maior do que o corpo que o carrega.
Durante muito tempo (e ainda hoje) "feminino" foi reduzido a: biologia, útero, maternidade, ciclo.
Mas precisamos ampliar isso, levando em consideração o que o corpo carrega além da anatomia.
O feminino não é só um dado biológico.
É também uma dimensão psíquica. Uma forma de se relacionar com o desejo,com o corpo, com o outro, com o que não se limita.
Essa dimensão é mais ampla do que qualquer ciclo ou anatomia sozinhos.
Mas ela se inscreve, de formas muito concretas, nos corpos, nas histórias e nas vivências das mulheres.
Quando falo de feminino nesse sentido, estou falando de:
Desejo: não como falta, mas como força própria.
Corpo: não apenas como anatomia,mas como morada do sujeito. Com seus ciclos, suas fases, suas transformações.
Transgeracionalidade: o que se passa de geração em geração, no diálogo entre mães e filhas.
O que escapa: ao controle, à lógica, à exigência de perfeito funcionamento.
Quando escuto uma mulher na clínica,não escuto apenas seus sintomas.
Escuto o que o feminino carrega nela as heranças que recebeu sem escolher,os desejos que aprendeu a silenciar, o corpo que habitou ou do qual se afastou.
O ciclo hormonal, a gravidez, a menopausa, esses são momentos em que o corpofala com uma intensidade particular.
Mas a escuta não começa quando o corpo grita.Ela acompanha a mulher inteira, no equilíbrio e no desequilíbrio.
O corpo não é idêntico em todas as mulheres.
Nem todas menstruam, gestam ou passam pelos mesmos ciclos.
Mas as vivências desse corpo quando ele é visto, quando ele se transforma,quando ele adoece ou floresce, merecem uma escuta que a medicina sozinhanão consegue oferecer.
O feminino não é uma categoria fechada.Mas uma dimensão viva que se move, que carrega história,que adoece e que cura, que se transmite e que se transforma.
O que o feminino significa para você além do que te ensinaram que era?



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