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O sujeito por trás do sintoma

Foto do escritor: Roseana Coelho
Roseana Coelho
31 de ago.
2 min de leitura

O diagnóstico diz o que você tem.

A psicanálise pergunta quem está adoecendo.

Duas pessoas podem ter o mesmo diagnóstico e viver experiências completamente diferentes.

O mesmo nome de doença em corpos, histórias e subjetividades distintas.

A medicina precisa do diagnóstico para tratar. A psicanálise precisa do sujeito para escutar.

São perguntas diferentes e as duas são necessárias.

Quando a psicanálise fala em sujeito, fala de algo muito concreto: a história de cada pessoa carrega os afetos que aprendeu (ou não aprendeu) a sentir, as relações que vivenciou, o que foi dito e o que ficou em silêncio.

Esse sujeito habita o corpo. E o corpo, inevitavelmente, carrega esse sujeito.

O sintoma é sempre singular.

Ele não é apenas "colite" ou "enxaqueca" ou "fadiga crônica".

Ele é a colite dessa mulher, que aparece nesse momento da vida, depois dessa experiência, nesse corpo que tem essa história.

O sintoma é uma forma de autobiografia. Escrita em uma linguagem que ainda precisa ser traduzida.

E quando o corpo está bem?

O equilíbrio psicossomático também é singular.

A forma como você descansa é sua.A forma como você sente o prazer no corpo é sua. A forma como você responde ao estresse é sua.

Conhecer esse funcionamento em equilíbrio, não só na doença, é conhecer algo fundamental sobre si mesmo.

A escuta psicossomática não espera o adoecimento. Ela acompanha o sujeito inteiro.

Quando alguém é escutado como sujeito e não apenas como portador de um sintoma algo fundamental acontece: ela para de se identificar com a doença.

Deixa de ser "a paciente com fibromialgia" e passa a ser uma mulher com uma história que o corpo está tentando contar.

É o começo de uma relação diferente com o próprio corpo e com a própria vida.

Você não é o seu diagnóstico.

Você é um sujeito com uma história e o seu corpo faz parte dela.

O que você sente quando pensa em ser visto não pelo que tem, mas por quem você é?

O diagnóstico é necessário. Mas ele não é suficiente.

Duas pessoas podem receber o mesmo diagnóstico e viver experiências completamente distintas porque são sujeitos distintos, com histórias, afetos e formas de habitar o corpo que nenhum CID consegue capturar.

A psicossomática psicanalítica não pergunta apenas o que a pessoa tem. Ela pergunta quem está adoecendo. Qual é a história desse corpo. O que ficou sem elaboração. O que o sintoma está tentando resolver?

Ser visto como sujeito, e não como portador de um sintoma , muda a relação de alguém com o próprio corpo e com a própria forma de existir.

 
 
 

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