O sujeito por trás do sintoma
O diagnóstico diz o que você tem.
A psicanálise pergunta quem está adoecendo.
Duas pessoas podem ter o mesmo diagnóstico e viver experiências completamente diferentes.
O mesmo nome de doença em corpos, histórias e subjetividades distintas.
A medicina precisa do diagnóstico para tratar. A psicanálise precisa do sujeito para escutar.
São perguntas diferentes e as duas são necessárias.
Quando a psicanálise fala em sujeito, fala de algo muito concreto: a história de cada pessoa carrega os afetos que aprendeu (ou não aprendeu) a sentir, as relações que vivenciou, o que foi dito e o que ficou em silêncio.
Esse sujeito habita o corpo. E o corpo, inevitavelmente, carrega esse sujeito.
O sintoma é sempre singular.
Ele não é apenas "colite" ou "enxaqueca" ou "fadiga crônica".
Ele é a colite dessa mulher, que aparece nesse momento da vida, depois dessa experiência, nesse corpo que tem essa história.
O sintoma é uma forma de autobiografia. Escrita em uma linguagem que ainda precisa ser traduzida.
E quando o corpo está bem?
O equilíbrio psicossomático também é singular.
A forma como você descansa é sua.A forma como você sente o prazer no corpo é sua. A forma como você responde ao estresse é sua.
Conhecer esse funcionamento em equilíbrio, não só na doença, é conhecer algo fundamental sobre si mesmo.
A escuta psicossomática não espera o adoecimento. Ela acompanha o sujeito inteiro.
Quando alguém é escutado como sujeito e não apenas como portador de um sintoma algo fundamental acontece: ela para de se identificar com a doença.
Deixa de ser "a paciente com fibromialgia" e passa a ser uma mulher com uma história que o corpo está tentando contar.
É o começo de uma relação diferente com o próprio corpo e com a própria vida.
Você não é o seu diagnóstico.
Você é um sujeito com uma história e o seu corpo faz parte dela.
O que você sente quando pensa em ser visto não pelo que tem, mas por quem você é?
O diagnóstico é necessário. Mas ele não é suficiente.
Duas pessoas podem receber o mesmo diagnóstico e viver experiências completamente distintas porque são sujeitos distintos, com histórias, afetos e formas de habitar o corpo que nenhum CID consegue capturar.
A psicossomática psicanalítica não pergunta apenas o que a pessoa tem. Ela pergunta quem está adoecendo. Qual é a história desse corpo. O que ficou sem elaboração. O que o sintoma está tentando resolver?
Ser visto como sujeito, e não como portador de um sintoma , muda a relação de alguém com o próprio corpo e com a própria forma de existir.



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